quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Stalinismo

Após derrotar a chamada "Oposição de Esquerda", liderada por Leon Trotsky, e assumir o poder no final dos anos 20, o secretário geral do Partido Comunista, Josef Stalin, promoveu a coletivização forçada das terras e a industrialização acelerada nas cidades, causando a morte de milhões de camponeses e a exploração brutal da classe operária nas cidades.

"Mas, já em 1929, (...) Stalin passa a implementar medidas de coletivização forçada da agricultura, apoiadas numa duríssima repressão contra os camponeses. Sabe-se hoje que essa política voluntarista e duramente coercitiva - que o próprio Stalin chamou de "revolução pelo alto" - levou à morte cerca de 10 milhões de camponeses. Por outro lado, a industrialização acelerada promovida pelos famosos planos qüinqüenais, embora tenha tido importantes resultados quantitativos, produziu fome e gerou opressão sobre os trabalhadores urbanos. Conheceu-se assim, na URSS dos anos 30, um período de intensa superexploração da força de trabalho, tanto camponesa quanto operária. Tudo isso levou à construção de um regime de terror na União Soviética: consenso e hegemonia, que ainda tinham alguma presença na sociedade soviética dos anos 20, cederam definitivamente lugar à coerção e ao despotismo." (Carlos Nelson Coutinho; em "Atualidade de Gramsci")

Durante os anos 30, Stalin eliminou toda a "velha guarda" bolchevique, assim como mandou executar milhões de pessoas. Todos acusados de "traição", inclusive aqueles que haviam se dedicado a Revolução de Outubro e ao partido, como Kamenev, Zinoviev, e Bukharin. Trotsky foi assassinado em 1940, por um agente stalinista enviado ao México, onde estava exilado.

Stalin também liquidou cerca de 5.000 oficiais do Exército acima da patente de major, 13 de 15 generais de cinco estrelas do Exército Vermelho – criado durante a Revolução Russa por Leon Trotsky, seu dissidente mais conhecido – considerando-os todos "inimigos do povo".

"É provável que a dimensão desse violento expurgo se devesse a um acerto de contas de Stalin com Trotsky, visto que foi o seu rival quem forjou o Exército Vermelho durante a guerra civil de 1918-21. O objetivo final seria a stalinização total da organização militar, que até então ficara fora dos expurgos que abateram o partido e a polícia secreta ao longo dos anos trinta." (Robert Conquest - O Grande Terror, pag. 478-9)

Se não bastasse isso, chegou a colaborar com os nazistas no começo da Segunda Guerra Mundial, após ter assinado um pacto de não agressão com a Alemanha em agosto de 1939. Inclusive, os soviéticos partilharam o território polônes com os alemães, depois que as duas potências invadiram a Polônia em setembro de 1939. Stalin só abandonou essa política suicida depois que Hitler atacou a URSS, em 22 de junho de 1941.

A participação soviética na guerra foi fundamental para a derrota dos nazistas. Após expulsar os alemães, os soviéticos libertaram o leste da Europa e invadiram a Alemanha, capturando Berlim em 2 de maio de 1945. Os alemães se renderam cinco dias depois.

Entretanto, após derrotar os alemães, os soviéticos estabeleceram ditaduras stalinistas nos países do Leste Europeu, transformando a região em uma espécie de "quintal da URSS". O que existia não era mais o socialismo marxista, mas um pseudo-socialismo burocrático e totalitário, que em alguns aspectos se assemelhava ao nazi-fascismo.

Stalin morreu em 5 de março de 1953. Em fevereiro de 1956, no XX Congresso do Partido Comunista da URSS, o novo líder do partido e da nação, Nikita Kruschev, denunciou os crimes de Stalin, condenando o culto a personalidade e promovendo uma pequena liberalização do regime, acabando com a era de terror do stalinismo.

Mas a URSS e demais países do bloco socialista, continuaram sendo ditaduras burocráticas, onde o povo não tinha a menor liberdade. E o resultado foi a falência desse modelo socialista oriundo da tradição soviética, no final dos anos 80.



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