quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Crise de direção?




"Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam 'maduras' para o socialismo, são apenas produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não estão somente maduras: elas começam a apodrecer. Sem a vitória da revolução socialista no próximo período histórico, toda a civilização humana está ameaçada de ser conduzida a uma catástrofe. Tudo depende do proletariado, ou seja, antes de mais nada, de sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária." (Leon Trotsky, "O programa de transição")

Os trotskistas vivem falando a respeito de uma suposta "crise de direção" do movimento operário, onde a ausência de uma revolução socialista internacional se deve ao fato das direções operárias estarem nas mãos de stalinistas e social-democratas. Segundo o argumento deles, a revolução socialista é possível quando na direção dos movimentos operários estiver partidos e grupos trotskistas, ou seja, a IV Internacional.

Oras, porque então os sindicatos e entidades estudantis dirigidas por trotskistas, como é o caso da CSP-CONLUTAS e da ANEL, não conseguem promover nenhuma mobilização de caráter revolucionário??? O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos é filiado a CSP-CONLUTAS, mas qual grande mobilização consegue realizar??? E o ANDES-SN(Associação Nacional dos Docentes no Ensino Superior - Sindicato Nacional), também filiado a CSP-CONLUTAS, consegue organizar alguma greve combativa??? Alguma greve ou manifestação organizada pela CSP-CONLUTAS, consegue ameaçar a ordem capitalista???

E o mais engraçado é que apesar de nunca terem dirigido revolução alguma, os trotskistas vivem se declarando os "únicos herdeiros" do marxismo revolucionário.

Os trotskistas perdem mais tempo brigando entre si e contra o resto da esquerda socialista, do que construindo a unidade das forças proletárias para combater a burguesia. E esse sectarismo doentio não acontece apenas aqui, onde PCO e PSTU vivem trocando acusações e até mesmo agressões físicas entre seus militantes, além de viver atacando o PSOL, chamando o PCB de stalinista, e baboseiras afins. O mesmo acontece na Europa. Na França, o sectarismo do Partido Operário Independente e da Luta Operária, os jogam no gueto. O mesmo acontece na Itália, onde o sectarismo do Partido Comunista dos Trabalhadores e do Partido da Alternativa Comunista, é ainda maior. Ninguém faz revolução com um sectarismo tão doentio.

Os trotskistas não percebem que a realidade das sociedades capitalistas desenvolvidas é bem diferente da realidade da Rússia de 1917. Naquela sociedade semi-feudal, o poder estava concentrado no Palácio de Inverno, portanto bastava ataca-lo para se tomar o poder. Nas sociedades capitalistas desenvolvidas, o poder não está concentrado nos palácios. Encontra-se disperso pela sociedade, pois o capitalismo não se mantem apenas pela coerção, mas também pelo consenso. A esquerda deve disputar a hegemonia na sociedade, antes de pensar em tomar o poder. Os trotskistas não percebem isso e continuam achando que convocando greves em assembléias esvaziadas, convocando manifestações com o uso de palavras de ordem dogmaticas contra o capitalismo, vão conseguir realizar alguma revolução.

O filósofo e revolucionário italiano Antonio Gramsci, que na minha opinião é o maior teórico do comunismo depois do próprio Marx e de Engels, reinterpretou o marxismo segundo a realidade das sociedades capitalistas desenvolvidas(as sociedades do tipo "Ocidental", usando a expressão do próprio Gramsci), e assim formulou uma alternativa real ao stalinismo. Gramsci foi o primeiro teórico marxista a refletir sobre a questão do consenso, formulando a teoria sobre a revolução socialista no mundo capitalista desenvolvido, uma revolução que arde em 'fogo lento', onde a disputa da hegemonia na sociedade é fundamental.

"[...] no Ocidente, onde a 'sociedade civil' é extremamente articulada com a proteção do 'Estado político', a luta será longa, será uma enervante 'guerra de posição' [...]. É preciso aprender todos os métodos mais elaborados dos adversários, não deixar-se surpreender despreparados ou atrasados nessa revolução que arde em 'fogo lento', abandonar o primitivismo econômico e mecanicista precedente e desenvolver a capacidade de previsão e de guia dos acontecimentos, chamando os intelectuais para colaborar com tal empreendimento histórico e colmatando continuamente as distâncias que se formam entre as linhas estratégicas dos vértices e a capacidade de compreensão e de recepção da base." (Antonio Gramsci)

Fica claro que não podemos buscar no trotskismo, a alternativa para a construção de um socialismo renovado, sem os desvios promovidos pelo stalinismo. A alternativa eu acredito existir na obra de Antonio Gramsci, que não se deixou contaminar pelo esquerdismo(a doença infantil do comunismo), muito menos pelo dogmatismo.

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